Em 2007, quando a pesquisa começou a perguntar para as mulheres sobre a convivência com seus agressores, 26% responderam que ainda moravam com ele. O número cresceu até 32% em 2011 e depois diminuiu até atingir 17% em 2025.
Entre os 17% de mulheres que ainda convivem com o agressor depois de um episódio de violência, a maioria (12%) segue morando com ele. Outras 4% não residem mais sob o mesmo teto, mas ainda mantêm algum nível de convivência.
A pesquisa mostra que a idade influencia na convivência com o agressor. Segundo dados do estudo da Nexus e DataSenado, 16% das mulheres agredidas no país com mais de 50 anos moram com seus agressores. Entre brasileiras de 30 a 49 anos esse número cai para 11%, e 9% entre mulheres de 16 a 29 anos. As vítimas que praticam algum tipo de religião também seguem essa tendência: 14% das católicas e 13% das evangélicas moram com seus agressores, contra 8% de quem afirmou não ter religião.
Vínculos afetivos estão no centro das agressões
Os dados de 2025 também confirmam a centralidade dos vínculos afetivos nas agressões. Neste ano, 70% das mulheres que disseram já terem sofrido algum tipo de violência grave, foram agredidas por seus maridos, companheiros ou namorados. Na última edição, em 2023, foram 58%, e 56% em 2021.
Apesar disso, cresce a ruptura desses relacionamentos após a violência. Em 79% dos casos em que o agressor era o marido ou companheiro, por exemplo, o vínculo atual é de ex-parceiro. Em agressões cometidas por namorados, em 92% dos casos os relacionamentos foram desfeitos.
“A queda contínua na convivência direta entre vítimas e agressores se soma ao movimento de rompimento dos relacionamentos após episódios de violência. Embora a violência siga sendo um fenômeno estrutural e persistente, os números sugerem que as mulheres têm se afastado mais frequentemente dos agressores, rompendo ciclos prolongados de convivência e dependência que historicamente dificultam a saída dessas situações”, destaca Marcos Ruben de Oliveira, coordenador do DataSenado e um dos responsáveis pela pesquisa.
Metodologia da Pesquisa Nacional de Violência contra Mulheres
Criada em 2005 para subsidiar a elaboração da Lei Maria da Penha, a pesquisa é realizada a cada dois anos e ouviu, nesta edição, 21.641 mulheres com 16 anos ou mais em todo o país. É uma das principais referências nacionais para formulação e monitoramento de políticas públicas voltadas à proteção das mulheres.
As amostras do DataSenado e da Nexus são totalmente probabilísticas, permitindo calcular a margem de erro para cada resultado com nível de confiança de 95%. Para estimativas simples envolvendo todas as 21.641 mulheres entrevistadas, a margem de erro média foi de 0,69 ponto percentual, com desvio padrão de 0,45 ponto percentual. As entrevistas foram distribuídas por todas as unidades da Federação, por meio de ligações para telefones fixos e móveis, com alocação uniforme por estado e Distrito Federal.
Sobre o Instituto DataSenado
O Instituto de Pesquisa DataSenado tem mais de 20 anos de história e foi criado pelo Senado Federal para reforçar a representação parlamentar federativa do Senado Federal. Este levantamento integra série histórica iniciada em 2005 e tem por objetivo ouvir cidadãs brasileiras acerca de aspectos relacionados à desigualdade de gênero e a agressões contra mulheres no país. Essa e outras pesquisas sobre os mais diversos temas estão disponíveis no site do DataSenado.
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