Falsos alertas do ECA Digital viram nova munição para golpes virtuais, aponta estudo da Certta e da Nexus

estudos divulgados

Levantamento identifica uso do nome da nova legislação em golpes via PIX e aponta preocupação com o hábito de expor informações sensíveis.

O novo ECA Digital, em vigor desde março de 2026, representa um avanço importante para proteger crianças e adolescentes na internet. A repercussão e a novidade da lei, no entanto, vêm sendo usadas por criminosos virtuais para enganar as pessoas. Levantamento realizado pela Certta, hub de verificação inteligente, e pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, alerta para o uso indevido do nome da legislação para extorquir famílias.

O levantamento Mapa de Confiança Digital, que analisou conteúdos publicados entre janeiro e julho de 2026 nas redes X, Facebook e Instagram e no fórum Reddit, identificou cerca de mil menções espontâneas sobre “Menores de Idade e ECA Digital”. O assunto se divide em duas frentes principais nas conversas digitais: de um lado, discussões sobre como fiscalizar e confirmar a idade dos jovens para protegê-los; de outro, relatos de quem caiu em fraudes financeiras que usam o nome da lei.

Exposto por usuários no levantamento da Certta e da Nexus, o “Golpe da Multa do ECA Digital” funciona por meio do envio de notificações falsas aos responsáveis. Os golpistas acusam as famílias de irregularidades na exposição online dos filhos e cobram multas urgentes via PIX para evitar processos.

“Em momentos de mudança, como a implementação de novas regras de proteção no ambiente digital, os criminosos encontram oportunidades para explorar dúvidas e vulnerabilidades. Por isso, entender como essas fraudes surgem e se aproximam do cotidiano das pessoas é fundamental para antecipar riscos, orientar os usuários e fortalecer a proteção ao longo de toda a jornada”, alerta Roberto Ferlis, VP de Legal e Compliance da Certta.

Como reduzir riscos sem expor a criança
A prática do sharenting — a exposição excessiva de fotos, rotinas e informações dos filhos pelos próprios pais — também alimenta a base de dados usada por criminosos. Informações simples, como nome da criança, escola onde estuda, locais que frequenta e nomes de parentes ajudam os golpistas a montar perfis completos para enganar as famílias.

A prevenção exige educação digital, cuidado ao postar dados pessoais e desconfiança diante de cobranças imediatas. “O ECA Digital amplia a discussão e reforça que a responsabilidade no ambiente digital é compartilhada entre Estado, sociedade, plataformas e família. Esse debate também traz uma oportunidade de ressaltar uma cultura de cuidado com dados sensíveis, desde a forma como eles são coletados e utilizados até os riscos de sua exposição. Acompanhar essa evolução é importante para que proteção e privacidade estejam no centro das decisões que envolvem esse público”, ressalta Ferlis.

De acordo com o executivo, até o final de 2026, o debate deve ganhar novos desdobramentos, à medida que as empresas avançam na busca por alternativas técnicas capazes de garantir a segurança exigida pela legislação sem criar barreiras desnecessárias ou comprometer a privacidade dos usuários.

Entre as possibilidades estão tecnologias como a documentoscopia, que permite analisar a autenticidade de documentos de identificação, além de recursos de estimativa de idade e comparação biométrica entre a face do usuário e a fotografia presente no documento.

“A escolha do método deve considerar o nível de risco e a finalidade de cada serviço, priorizando alternativas proporcionais e menos intrusivas. Quando houver necessidade de utilizar dados biométricos, que são considerados dados pessoais sensíveis, é fundamental avaliar também os impactos dessa escolha sobre a privacidade”, conclui Ferlis.

METODOLOGIA
A Nexus extraiu e analisou menções e buscas relacionadas à segurança digital realizadas entre 1º de janeiro e 22 de julho de 2026. A coleta em redes sociais (Facebook, Instagram e X) totalizou mais de 60 mil menções e 44 milhões de interações via Social Listening. O estudo contou ainda com análises de intenção de busca no Google e Bing (Answer The Public) e estudo qualitativo de narrativas no fórum Reddit.

SOBRE A CERTTA
Fundada em 2019, a Certta é um hub de verificação inteligente que integra, otimiza e desenvolve um ecossistema de soluções antifraude para gerar decisões mais seguras. A plataforma da marca permite verificar identidades e documentos, protegendo pessoas e negócios contra fraudes. Hoje, suas soluções estão presentes em mais de 300 clientes, entre bancos, empresas de delivery, seguradoras, meios de pagamento e fintechs, apoiando a prevenção a fraudes, a automação de processos, a melhoria da experiência do cliente e o crescimento de receita. A Certta conta com investimentos da Parallax Ventures e da L4 Venture Builder, fundo da B3.

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