8 em cada 10 brasileiros sentiram mudanças climáticas significativas no último ano, aponta Nexus

estudos divulgados
Ondas de calor intenso foram o fenômeno mais relatado pelos entrevistados; 71% da população enxerga responsabilização humana no avanço de eventos climáticos extremos

Pesquisa da Nexus mostra que 85% dos brasileiros sentiram mudanças significativas no clima da região onde vivem no último ano. Entre os que relataram essa diferença, 56% acreditam que mudou muito e 29%, que mudou um pouco. Apenas 13% dos brasileiros disseram não notar nenhuma mudança extrema no clima de sua região e outros 2% não souberam ou não quiseram responder.

A idade é um dos fatores que influencia na percepção da diferença climática: entre os mais velhos, acima dos 65 anos, chega a 61% os que pensam que o clima mudou de forma extrema nos últimos 12 meses. O percentual cai conforme a idade diminui, até chegar a 49% dos jovens de 16 a 24 anos.

“Os brasileiros mais jovens, de 16 a 24 anos, convivem com mudanças extremas no clima desde que nasceram. As conversas e as tentativas de desacelerar fenômenos naturais agravados pelo homem já estavam aqui enquanto eles cresciam, e a tendência é que mais jovens vejam como rotineiros os efeitos dessas mudanças”, aponta o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski.

Entre as mudanças climáticas percebidas pelos brasileiros, metade (52%) relata ondas de calor intenso, o fenômeno mais citado pelos entrevistados. Em seguida, aparecem os alagamentos (29%), a seca prolongada (22%) e as tempestades de vento (14%). Todas essas mudanças foram relatadas em maior proporção do que o percentual de brasileiros que disseram não perceber nenhum efeito incomum (9%).

Na hora de encontrar explicações para as mudanças notadas pela população no último ano, 7 em cada 10 brasileiros (71%) disseram que a ação humana contribui para os avanços dos eventos climáticos extremos, sendo que 56% acreditam que eles são totalmente provocados pelo homem e 15% que a ação humana está associada à fenômenos naturais. Há ainda ¼ da população (24%) que acredita que os efeitos relatados não têm associação com as decisões humanas.

A responsabilização da humanidade pelos eventos climáticos extremos é maior entre quem estudou até o ensino superior (61%) e ganha acima de 5 salários mínimos (59%). No extremo oposto, a proporção de entrevistados que não vêem a ação humana como causa desses fenômenos chega a 31% entre quem ganha até 1 salário mínimo e 28% entre quem estudou apenas até o ensino fundamental.

“A pesquisa mostra que o acesso à informação é a chave para o entendimento e responsabilização da ação humana no agravamento dos efeitos climáticos no mundo. Já são mais de 70% os brasileiros que acreditam que as decisões que tomamos contribuem para os avanços nos efeitos climáticos extremos, e esse é o primeiro passo para frear as consequências desses fenômenos”, afirma  Tokarski.

METODOLOGIA

Foram realizadas 2.000 entrevistas presenciais, com abordagem face-a-face domiciliar e coleta de dados georreferenciados. A pesquisa foi realizada com amostra representativa de todos os estados, controlada, estratificada e segmentada por sexo, idade, renda e região.

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