Ondas de calor extremo e chuvas intensas com alagamentos lideram impactos percebidos nos últimos 12 meses; metade atribui mudanças às ações humanas
Pesquisa da Nexus mostra que a percepção sobre as alterações no clima atinge 86% dos moradores do Sudeste. Entre quem vive na região, 57% declararam que o clima mudou muito e 29% que mudou um pouco no último ano. O número é próximo da média nacional, de 85%.
Entre os impactos mais percebidos pelos moradores estão as ondas de calor intenso (45%) e os alagamentos provenientes de temporais (29%). Quem vive na região citou ainda secas prolongadas/falta de água (24%) e tempestade de vento (14%).
Na hora de opinar sobre a responsabilidade da mudança, metade (54%) dos moradores do Sudeste atribuem à ação humana os avanços de eventos climáticos extremos. Outros 22% acreditam que são apenas fenômenos naturais, menor percentual entre todas as regiões e abaixo da média nacional, de 24%. Outros 20% acreditam que é uma junção de ambos.
Desconhecimento sobre El Niño é grande
Apesar da alta percepção dos avanços da mudança climática no último ano, 35% de quem vive no Sudeste não sabe o que é o El Niño, fenômeno climático natural previsto para se intensificar no Brasil nos próximos meses e que pode produzir eventos extremos como fortes chuvas e onda de calor. Dos moradores que conhecem o El Niño, 14% acompanham bem o tema, 21% acompanham um pouco, 11% não acompanham e 17% só ouviram falar.
Passado o desconhecimento inicial, depois da explicação sobre o fenômeno, 63% dos moradores do Sudeste afirmaram ter um medo considerável dos efeitos do El Niño (4 e 5 em escala que vai de 1 a 5). Apenas 14% relataram não ter medo algum (1 em escala que vai de 1 a 5). Os entrevistados deveriam escolher um número de 1 a 5 em que 1 seria “nenhum medo” e 5, “muito medo” dos impactos do fenômeno no Brasil.
Entre as principais consequências do El Niño, 78% dos moradores do Sudeste temem o aumento no preço dos alimentos. A percepção de vulnerabilidade na saúde, com doenças respiratórias ou causadas por enchentes (76%), o aumento na conta de luz (71%), a possível falta de água (69%) e problemas na infraestrutura das cidades (68%) também preocupam quem vive na região.
“A percepção de que o clima mudou é consolidada no Sudeste, mas o desconhecimento sobre o El Niño ainda é um obstáculo. A população sente os efeitos no calor e nas enchentes, teme o impacto na renda e na saúde, e precisa de respostas rápidas das cidades em termos de prevenção e infraestrutura”, aponta o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski.
METODOLOGIA
Foram realizadas 2.000 entrevistas presenciais, com abordagem face-a-face domiciliar e coleta de dados georreferenciados. A pesquisa foi realizada com amostra representativa de todos os estados, controlada, estratificada e segmentada por sexo, idade, renda e região.
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