Apenas 11% das menções relacionadas a golpes e fraudes digitais nas redes tratam de prevenção, aponta levantamento da Certta e da Nexus

estudos divulgados

Debate público é dominado por denúncias e buscas por socorro depois que o prejuízo já aconteceu e o brasileiro ainda confunde segurança cibernética com proteção antifraude.

O debate público sobre segurança contra fraudes no Brasil é pautado principalmente por denúncias e pela busca por soluções depois que o problema já aconteceu, enquanto a prevenção ainda ocupa pouco espaço nas conversas. É o que revela o levantamento inédito “Mapa de Narrativas de Confiança Digital”, realizado pela Certta, um hub de verificação inteligente, e pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados.

O levantamento da Certta e da Nexus mostra que apenas 11% das conversas sobre golpes e fraudes nas redes sociais abordam a prevenção, quando são desconsideradas as menções relacionadas a escândalos e casos específicos de grande repercussão midiática. Para chegar a esse número, foram analisadas mais de 60 mil menções e 44 milhões de interações no Facebook, no Instagram e no X, além de conversas em fóruns do Reddit e pesquisas nos buscadores Google e Bing, entre janeiro e julho de 2026.

A discussão pública é predominantemente marcada pela reação após o crime, com forte presença de termos como “Banco”, “Polícia” e “Vítima” (31%, 23% e 19% sobre o total de menções, respectivamente, no recorte sem casos de grande repercussão). A análise dos motores de busca reforça esse comportamento de reação após o delito. A procura por “como denunciar golpe online” supera as buscas relacionadas à prevenção (“como evitar”). Na sequência, aparecem dúvidas sobre “o que fazer quando cair em um golpe online”.

Ao mesmo tempo, os dados indicam que o público ainda busca compreender conceitos básicos sobre o assunto e acredita que segurança cibernética e antifraude são, na prática, a mesma coisa. Perguntas conceituais simples aparecem entre as mais pesquisadas no Google e Bing, como “oq é segurança digital”, “quais são os tipos” e “o que é deepfake”.

“Enquanto o público ainda enxerga um problema só, por trás da tela operam camadas de tecnologia, silenciosas e invisíveis, criadas justamente para separar o que é ataque técnico do que é engano humano”, afirma Rodrigo Lattaro, CMO da Certta. “Só no setor financeiro, telecom e delivery, milhões de reais são investidos anualmente nesse trabalho de bastidor, uma proteção que o usuário raramente percebe, mas sente quando a fraude não acontece”.

O levantamento da Certta e da Nexus indica que o brasileiro costuma procurar informação ou apoio quando a vulnerabilidade já se transformou em prejuízo financeiro ou transtorno pessoal. “Essa, porém, não é a realidade de quem trabalha com prevenção à fraude, trata-se de uma preocupação constante. É o que chamamos de verificação inteligente”, afirma Lattaro. “São aqueles segundos de espera para validar a biometria, a confirmação que aparece quando você troca de aparelho, ou o pedido para mover o rosto e provar que existe uma pessoa viva do outro lado, e não um robô se passando por ela. Isso já está em operação, e o mais recente é a integração de dados e a personalização de jornadas, que protegem o cidadão antes que o delito se concretize”.

Essas estratégias respondem a preocupações reais do consumidor, como mostra o recorte específico sobre identidade no levantamento. Nele, a defesa da identidade aparece como eixo central, com forte presença de termos relacionados a dados e pessoas (80% e 55% sobre o total de menções, respectivamente, no recorte sobre prevenção). O resultado reforça que, quando o debate se desloca da reação para a proteção, a preocupação do usuário está diretamente ligada à segurança de suas informações pessoais.

Comportamento por rede e a ‘fadiga de verificação’

Nas redes sociais, o estudo da Certta e da Nexus identifica diferenças importantes nas narrativas de acordo com a dinâmica de cada plataforma. No Instagram, rede líder em interações (78% do total geral), o foco recai sobre a vulnerabilidade individual do consumidor, com destaque para alertas relacionados ao uso de identidades e perfis falsos em aplicativos de relacionamento.

Já no X (antigo Twitter), rede com o maior número de usuários únicos (43% do total geral), o debate gira em torno da transparência institucional, com destaque para o uso do PIX no rastreio de movimentações suspeitas. O Facebook, segunda rede com o maior volume de menções (36% do total geral), concentra discussões sobre os impactos no sistema financeiro, além do acompanhamento de investigações e cobranças por respostas das instituições.

As conversas analisadas no Reddit revelam outro ponto de atenção: o desgaste provocado por barreiras burocráticas de segurança. Usuários relatam problemas com contas bloqueadas, travamentos do sistema e dificuldades de navegação em processos de validação facial, muitas vezes marcados por tentativas repetidas de captura e falta de retorno ágil. O fenômeno é conhecido como “fricção tecnológica” ou “fadiga de verificação”.

“Reagir à fraude depois que ela aconteceu sempre vai custar mais caro, em dinheiro e em confiança do cliente”, destaca o CMO da Certta. “Por isso, as ações necessárias para autenticar um usuário têm passado por evoluções constantes, hoje o processo é mais rápido, mais inteligente e, cada vez mais invisível. É possível otimizar as informações que já temos sobre a pessoa e direcionar o tipo de tecnologia usada a partir do nível de risco, autenticando pessoas reais em segundos, sem comprometer a fluidez da experiência”.

Para o executivo, o próximo passo do mercado está na alta adoção dessas ferramentas por médias e grandes empresas. “Quanto mais setores incorporarem essa forma de proteger as pessoas, maior será o padrão de segurança oferecido ao cliente final, essa é a única forma de a prevenção acompanhar a velocidade da fraude”, completa.

METODOLOGIA
A Nexus extraiu e analisou menções e buscas relacionadas à segurança digital realizadas entre 1º de janeiro e 22 de julho de 2026. A coleta em redes sociais (Facebook, Instagram e X) totalizou mais de 60 mil menções e 44 milhões de interações via Social Listening. O estudo contou ainda com análises de intenção de busca no Google e Bing (Answer The Public) e estudo qualitativo de narrativas no fórum Reddit.

SOBRE A CERTTA

Fundada em 2019, a Certta é um hub de verificação inteligente que integra, otimiza e desenvolve um ecossistema de soluções antifraude para gerar decisões mais seguras. A plataforma da marca permite verificar identidades e documentos, protegendo pessoas e negócios contra fraudes. Hoje, suas soluções estão presentes em mais de 300 clientes, entre bancos, empresas de delivery, seguradoras, meios de pagamentos e fintechs, apoiando a prevenção a fraudes, a automação de processos, a melhoria da experiência do cliente e o crescimento de receita. A Certta conta com investimentos da Parallax Ventures e da L4 Venture Builder, fundo da B3.

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