Principais números:
- Com 8 vitórias, Brasil e México são os países latinos mais premiados, seguidos da Argentina (7);
- Com 90 nomeações e 72 filmes, Brasil é o 2º país latino com mais indicações aos principais prêmios do cinema. México lidera o ranking, com 95;
- Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto são os filmes latino-americanos com mais indicações, com 5 cada; Central do Brasil é o filme brasileiro mais premiado, com 3 vitórias;
- Com 16 indicações, Walter Salles é o cineasta latino-americano com mais nomeações;
- Roma é o filme latino mais premiado, com 4 troféus;
- Entre os países da América Latina, Brasil, México, Argentina e Chile ganharam Oscar ao menos uma vez;
- Palma de Ouro, do Festival de Cannes, é a premiação que mais nomeou obras latinas, mas Bafta e Globo de Ouro acumulam mais vencedores.
O Brasil e o México são os países latino-americanos que mais ganharam troféus nas principais premiações do cinema, com 8 vitórias cada, revela levantamento inédito da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados.
O Brasil venceu:
- 1 Oscar de Melhor Filme Internacional (Ainda Estou Aqui, em 2025);
- 2 Baftas de Melhor Filme em Língua Não Inglesa (Central do Brasil, em 1998, e Diários de Motocicleta, em 2005);
- 2 Globos de Ouro de Melhor Filme em Língua Não Inglesa (Central do Brasil, em 1998, e O Agente Secreto, em 2026);
- 2 Ursos de Ouro (Central do Brasil, em 1998, e Tropa de Elite, em 2008);
- 1 Palma de Ouro (O Pagador de Promessas, em 1962).
Já o México levou os seguintes prêmios:
- 1 Oscar de Melhor Filme Internacional (Roma, em 2018);
- 3 Baftas de Melhor Filme em Língua Não Inglesa (Amores Brutos, em 2002; O Labirinto do Fauno, em 2007; e Roma, em 2018);
- 2 Globos de Ouro de Melhor Filme em Língua Não Inglesa (Tizoc, em 1958, e Roma, em 2018);
- 1 Leão de Ouro (Roma, em 2018);
- 1 Palma de Ouro (Maria Candelaria, em 1946).
Para o levantamento feito pela Nexus, foram analisados todos registros históricos disponíveis das seguintes premiações e categorias, levando em consideração apenas longas-metragens:
- Oscar – Melhor Filme e Melhor Filme Internacional (anteriormente Melhor Filme Estrangeiro);
- Bafta – Melhor Filme em Língua Não Inglesa;
- Globo de Ouro – Melhor Filme em Língua Não Inglesa (anteriormente Melhor Filme Estrangeiro);
- Palma de Ouro – prêmio máximo do Festival de Cannes;
- Leão de Ouro – prêmio máximo do Festival Internacional de Cinema de Veneza;
- Urso de Ouro – prêmio máximo do Festival Internacional de Cinema de Berlim.
México lidera em número de indicações
Embora o Brasil tenha empatado em número de troféus, o México lidera o ranking de indicações, com 95 nomeações, por 76 filmes – 9 deles concorreram ao Oscar de Melhor Filme Internacional. Já o Brasil foi indicado 90 vezes, por 72 filmes, sendo 6 longas ao Oscar, somando 8 indicações – 2 deles em 2 categorias: Melhor Filme e Melhor Filme Internacional.
O Brasil é o único país da América Latina que disputou o Oscar de Melhor Filme, com Ainda Estou Aqui (2025) e O Agente Secreto (2026), produções inteiramente brasileiras. Os dois longas-metragens também concorreram como Melhor Filme Internacional, com Ainda Estou Aqui vencendo a categoria em 2025. A cerimônia do Oscar de 2026 está marcada para 22 de março. Os dois longas são, inclusive, os filmes latino-americanos mais indicados nas principais premiações do cinema, com cinco nomeações cada.
“O empate do Brasil com o México nas premiações confirma o fortalecimento do nosso cinema no cenário internacional. Somos o único país da América Latina a conquistar indicações simultâneas a Melhor Filme e Melhor Filme Internacional com as mesmas obras, e por dois anos consecutivos. Com o Oscar e o Bafta se aproximando, o estudo da Nexus aponta um horizonte promissor, em que o Brasil pode não apenas superar esse empate, mas se firmar como a maior potência cinematográfica da América Latina”, afirma Marcelo Tokarski, CEO da Nexus.
Já a Argentina acumula 81 indicações e 7 vitórias nas premiações analisadas. Em casos de coprodução, um mesmo filme pode ter sido vitorioso em mais de uma premiação e contabilizado na lista de mais de um país.
Central do Brasil é filme brasileiro com mais prêmios
Vencedor do Bafta, do Globo de Ouro e do Urso de Ouro, Central do Brasil (1998), dirigido por Walter Salles, é o filme brasileiro mais premiado até hoje. Salles também dirigiu Diários de Motocicleta, coprodução com a Argentina, que ganhou o Bafta de Melhor Filme em Língua Não Inglesa em 2005, e Ainda Estou Aqui, que ganhou o Oscar de Melhor Filme Internacional no ano passado.
Walter Salles, é, inclusive, o diretor de cinema latino-americano com mais indicações aos principais prêmios internacionais. Foram 16 nomeações por seis produções diferentes. Luis Buñuel, cineasta espanhol naturalizado mexicano, foi o diretor com mais filmes indicados nessas premiações: foram oito no total.
Em 2026, O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, venceu o Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Não Inglesa. Tropa de Elite, de José Padilha, venceu o Urso de Ouro em 1998 e o Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, a Palma de Ouro em 1962.
O Agente Secreto e Ainda Estou Aqui no topo das indicações latino-americanas
Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto são os longas-metragens latino-americanos com mais indicações, ambos com 5 cada. Em seguida, está Central do Brasil, com 4 indicações. Outros quatro filmes latinos também tiveram 4 indicações: Argentina, 1985 (Argentina), Biutiful (México), O Labirinto do Fauno (México) e Roma (México).
Em janeiro, O Agente Secreto venceu o Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Não Inglesa. O filme também concorreu à Palma de Ouro, em maio de 2025, e, além das duas categorias do Oscar, foi indicado ao Bafta de Melhor Filme em Língua Não Inglesa. A premiação acontecerá em 22 de fevereiro de 2026.
O longa conta a história de Marcelo (Wagner Moura), um professor que, acusado de subversão, deixa São Paulo em busca de refúgio no Recife, em um contexto de perseguição política. O filme se passa em 1977, na época da ditadura militar, e traz discussões sobre identidade, repressão e espionagem.
Já Ainda Estou Aqui foi baseado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, publicado em 2015, e narra a prisão e desaparecimento de Rubens Paiva, pai do escritor, pelo regime militar, em 1971. O foco do longa-metragem é na história de Eunice Paiva em busca do marido e, mais tarde, pelo reconhecimento pelo Estado brasileiro de sua tortura e morte, declarada oficialmente em 1996. Além de concorrer aos Oscars de Melhor Filme e de Melhor Filme Internacional, a obra foi indicada para o Bafta, o Globo de Ouro e o Leão de Ouro.
Outros filmes brasileiros que foram indicados às 6 premiações analisadas incluem Bacurau, Carandiru, Eles Não Usam Black-Tie, Terra em Transe e Deus e o Diabo na Terra do Sol.
Com 6 obras na lista, Salles é o diretor brasileiro com mais indicações a essas premiações. As únicas mulheres cineastas brasileiras indicadas por longas-metragens foram Daniela Thomas, diretora de Linha de Passe junto a Walter Salles, que concorreu ao Urso de Ouro em 2008, e Suzana Amaral, diretora de A Hora da Estrela, que concorreu ao Urso de Ouro em 1986.
Nacionalidade dos filmes premiados
As premiações adotam diferentes critérios para definir a nacionalidade de um filme, incluindo idioma em que é falado, local de produção, produção executiva e financiamento. No Oscar, para concorrer a Melhor Filme Internacional, um país deve submeter um único filme falado majoritariamente em um idioma que não seja o inglês e produzido fora dos Estados Unidos. Também americano, o Globo de Ouro adota critério semelhante para disputa de Melhor Filme em Língua Não Inglesa, mas não há limitação de uma única obra por país.
A categoria Melhor Filme em Língua Não Inglesa do British Academy of Film and Television Arts, conhecido como Bafta, também funciona de forma semelhante e são admitidas coproduções. Já os festivais de Veneza e de Berlim consideram, principalmente, a produção e o financiamento. Filmes coproduzidos por vários países podem ter nacionalidade múltipla.
Esses dois critérios também são avaliados por Cannes, que inclui ainda a nacionalidade do diretor ou diretora. Desde 1975, o Palma de Ouro se tornou símbolo do festival e é destinado ao diretor do melhor filme.
Dirigido pelo brasileiro Walter Salles, mas produzido pelo Brasil e pela Argentina, Diários de Motocicleta foi considerado coprodução por Cannes em 2004 e pelo Bafta em 2005, mas brasileiro pelo Globo de Ouro. Coração Iluminado concorreu à Palma de Ouro como produção entre Brasil e Argentina em 1998. O longa é dirigido por Hector Babenco, argentino com dupla nacionalidade brasileira. Outros 3 filmes de Babenco, incluindo Carandiru e O Beijo da Mulher-Aranha, foram considerados brasileiros.
Nascido em Moçambique, o cineasta Ruy Guerra está radicado no Brasil desde 1958 e dirigiu 4 filmes considerados brasileiros indicados às premiações analisadas e um mexicano.
Roma é filme latino mais premiado
Dirigido pelo mexicano Alfonso Cuarón, Roma (2018) é o filme latino-americano mais premiado, de acordo com o levantamento da Nexus, acumulando 4 troféus: Oscar, Globo de Ouro, Leão de Ouro e Bafta.
Em 2º lugar, está Central do Brasil, vencedor do Bafta, Globo de Ouro e Urso de Ouro, e, em 3º, o argentino A História Oficial (1985), de Luis Puenzo, vencedor do Oscar e do Globo de Ouro.
Palma de Ouro lidera nomeações de filmes latinos
Dentro das 6 premiações analisadas, a Palma de Ouro, prêmio máximo do Festival de Cannes, iniciado em 1946, é a que mais acumula indicações de países latinos, somando 123 nomeações e 2 vencedores. Em segundo lugar, o Urso de Ouro, que teve início em 1951, contabiliza 66 nomeações e 3 vitoriosos. O Leão de Ouro soma 52 indicações e 2 vencedores, desde 1932.
Já o Bafta, iniciado em 1947, e o Globo de Ouro, que começou em 1944, são os que mais premiaram obras latinas. Foram 7 vitoriosos em cada premiação, sendo que no Bafta os longas-metragens desses países são 15 e no Globo de Ouro são 29. No Oscar, original de 1929, são 30 nomeações e 5 vencedores.
Metodologia
O levantamento foi feito com base nos sites oficiais dos festivais e no The Internet Movie Database (IMDb).
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