Pesquisa revela que 47% do eleitorado brasileiro escolhem seu nome dos sonhos, mas índice despenca entre jovens e pessoas com ensino superior, que adotam postura mais pragmática
A nova rodada (15ª) de pesquisa BTG/Nexus revela que quase metade dos eleitores brasileiros caminhará para as urnas no primeiro turno movida por forte convicção. Os dados mostram que 47% da população afirmam que o nome escolhido é o seu “candidato ideal”. Do outro lado da balança, o pragmatismo e a rejeição ditam o voto da outra metade do país: 38% admitem que o escolhido “não é o ideal, mas é o melhor entre os disponíveis”, enquanto 12% assumem o voto tático apenas “para evitar a vitória de um determinado candidato” (3% não souberam responder).
A segmentação desse cenário revela que a convicção absoluta na escolha política afeta de forma mais aguda a base da pirâmide social e o eleitorado mais velho, enquanto a juventude e a classe média escolarizada apresentam forte ceticismo em relação às opções disponíveis.
O voto no “candidato ideal” atinge seu pico surpreendente entre os desocupados, batendo a marca de 63%. A convicção também é amplamente majoritária entre os eleitores com apenas o Ensino Fundamental (55%) e naqueles com renda familiar de até 1 salário mínimo (53%). Em contrapartida, a desilusão ou o voto utilitário prevalecem na elite socioeconômica: apenas 37% dos eleitores com Ensino Superior consideram seu candidato o ideal, índice que fica em 41% entre os trabalhadores formais (PEA formal) e na faixa de renda superior a 5 salários mínimos.
A clivagem geracional e regional também é contundente. Enquanto 54% dos idosos com 60 anos ou mais dizem votar no candidato dos sonhos, esse número desaba para apenas 33% entre os jovens de 16 a 24 anos — faixa em que a maioria (53%) diz estar votando apenas na melhor opção disponível.
Geograficamente, o Nordeste abriga o eleitorado mais convicto (51%), contrastando fortemente com a Região Sul, onde apenas 37% cravam que votam no candidato ideal. Moradores do Interior (49%) e católicos (50%) também se mostram mais engajados e satisfeitos com suas escolhas do que eleitores de Capitais (41%) e evangélicos (41%).
“O voto de convicção no Brasil tem perfil demográfico e contracheque muito bem definidos”, analisa Marcelo Tokarski, CEO da Nexus. “A base da pirâmide, os idosos e os eleitores fora do mercado formal tendem a estabelecer laços de identificação mais profundos, históricos e até emocionais com as lideranças políticas. Já a juventude e o eleitorado de alta escolaridade e renda apresentam um comportamento muito mais crítico. Para esses grupos, a eleição não é a escolha de um perfil ideal, mas uma decisão estritamente pragmática pelo nome menos pior no cardápio.”
A Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados entrevistou, por telefone, 2.006 pessoas entre os dias 18 e 20 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.
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