O relatório feito pelo DataSenado e pela Nexus revela, no entanto, uma distribuição distinta das prioridades de acordo com a religião das brasileiras: para 69% das evangélicas, a igreja aparece como um recurso de procura inicial. Em segundo lugar, 58% delas apontaram a família como atitude imediata em face da violência, indicando uma sobreposição de redes de acolhimento.
Já entre as católicas, 59% apontaram que buscaram ajuda da família depois de uma violência sofrida e 48% disseram que procuraram a igreja para acolhimento. Entre mulheres de outras ou nenhuma religião, a procura por apoio familiar foi feita por 53% das mulheres, e o apoio das igrejas ou templos religiosos foi feito por 30% delas.
“A igreja funciona para parte das mulheres como espaço de aconselhamento, mediação e acolhimento imediato diante da crise. Os dados colocam as instituições religiosas entre os atores que efetivamente intermediam o primeiro atendimento às vítimas dentro de determinados recortes sociais”, aponta Maria Teresa Prado, coordenadora do Observatório da Mulher contra a Violência no Senado Federal.
Busca por serviços formais é menor do que por espaços de acolhimento informais
A pesquisa do DataSenado e da Nexus também registra que a procura por serviços formais é menor do que a busca por redes informais. Enquanto 57% das brasileiras agredidas nos últimos 12 meses buscaram a família, 53%, a igreja e 52%, os amigos, as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) foram procuradas por 28% das vítimas, e o número 180, serviço de orientação e denúncia, por 11% das mulheres. Por outro lado, apenas 5% das brasileiras agredidas no último ano não tomaram nenhuma atitude após o episódio de violência, revelando a disposição das vítimas em buscar ajuda e romper o silêncio.
Metodologia da Pesquisa Nacional de Violência contra Mulheres
Criada em 2005 para subsidiar a elaboração da Lei Maria da Penha, a pesquisa é realizada a cada dois anos e ouviu, nesta edição, 21.641 mulheres com 16 anos ou mais em todo o país. É uma das principais referências nacionais para formulação e monitoramento de políticas públicas voltadas à proteção das mulheres.
As amostras do DataSenado e da Nexus são totalmente probabilísticas, permitindo calcular a margem de erro para cada resultado com nível de confiança de 95%. Para estimativas simples envolvendo todas as 21.641 mulheres entrevistadas, a margem de erro média foi de 0,69 ponto percentual, com desvio padrão de 0,45 ponto percentual. As entrevistas foram distribuídas por todas as unidades da Federação, por meio de ligações para telefones fixos e móveis, com alocação uniforme por estado e Distrito Federal.
SOBRE O INSTITUTO DATASENADO
O Instituto de Pesquisa DataSenado tem mais de 20 anos de história e foi criado pelo Senado Federal para reforçar a representação parlamentar federativa do Senado Federal. Este levantamento integra série histórica iniciada em 2005 e tem por objetivo ouvir cidadãs brasileiras acerca de aspectos relacionados à desigualdade de gênero e a agressões contra mulheres no país. Essa e outras pesquisas sobre os mais diversos temas estão disponíveis no site do DataSenado.
SOBRE O OBSERVATÓRIO DA MULHER CONTRA A VIOLÊNCIA
Criado em 2016 pelo Senado Federal, o Observatório da Mulher contra a Violência reúne, analisa e divulga dados sobre a violência de gênero no Brasil. Em parceria com o Instituto DataSenado, atua na produção e integração de informações que subsidiam políticas públicas e fomenta o intercâmbio entre as principais instituições envolvidas no enfrentamento à violência contra mulheres.
Contatos para imprensa – Nexus e DataSenado
Rodrigo Caetano – (61) 99961-3021
Lara de Faria – (21) 99233-4558
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