Enquanto 58% dos eleitores de Lula preveem melhora no cenário econômico, 41% dos apoiadores de Flávio Bolsonaro projetam deterioração no curto prazo
A nova rodada da pesquisa BTG/Nexus mostra que a percepção dos brasileiros sobre o futuro da economia nos próximos seis meses está diretamente atrelada à preferência política. De acordo com a pesquisa, o otimismo em relação ao ambiente econômico atinge a maioria absoluta dos eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto o pessimismo e o ceticismo prevalecem entre os apoiadores do senador Flávio Bolsonaro e entre os eleitores que declaram voto em branco, nulo ou em nenhum candidato.
Entre os entrevistados que declaram intenção de voto em Lula, 58% acreditam que a economia do país vai melhorar nos próximos seis meses. Nesse mesmo segmento, 25% consideram que a situação vai ficar igual e apenas 6% projetam piora no curto prazo, enquanto 11% não souberam ou não quiseram responder.
No grupo de eleitores de Flávio Bolsonaro, a perspectiva é oposta: 41% preveem que a economia vai piorar nos próximos seis meses e 17% acham que o cenário vai ficar igual. Apenas 28% dos apoiadores do senador esperam melhora econômica, enquanto 15% não souberam opinar.
A desconfiança econômica é ainda mais pronunciada entre os eleitores que pretendem votar em branco, nulo ou em nenhum candidato. Nesse grupo, 36% projetam piora na economia nos próximos seis meses, 28% acham que a situação permanecerá igual e somente 14% esperam avanços, com uma elevada taxa de 23% de não respostas. Já entre os indecisos sobre a escolha do candidato, predomina a expectativa de estabilidade: 46% acreditam que a economia vai ficar igual, 32% preveem piora e apenas 5% esperam melhora, com 18% de abstenção de resposta.
“A expectativa sobre os rumos da economia no curto prazo deixou de ser apenas uma percepção técnica ou de bolso para se transformar em um espelho do alinhamento político”, analisa Marcelo Tokarski, CEO da Nexus. “O eleitor lulista projeta otimismo como reflexo da confiança na gestão, enquanto o bolsonarista e o eleitor desencantado traduzem suas críticas ao governo em previsões de piora econômica. Essa contaminação política sobre as expectativas reforça o desafio do governo de furar a bolha da polarização e transmitir previsibilidade para quem está fora da sua base aliada”, conclui.
A Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados entrevistou, por telefone, 2.006 pessoas entre os dias 18 e 20 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.
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