Mulheres, mais velhos e baixa renda lideram preocupação com a saúde pública, mostra pesquisa

estudos divulgados

Tema mobiliza 27% dos brasileiros e atinge 44% entre quem ganha até 1 salário mínimo, evidenciando o peso da dependência do SUS nas classes mais vulneráveis

A nova rodada (15ª) de pesquisa BTG/Nexus revela que a saúde pública (falta de médicos, medicamentos e filas de atendimento) é apontada por 27% dos brasileiros como o principal problema do país na atualidade. A pauta mobiliza especialmente os estratos mais vulneráveis da população, que dependem diretamente do Sistema Único de Saúde (SUS) no seu dia a dia, apresentando forte clivagem de renda, gênero e idade.

A urgência da saúde atinge seu ápice entre as famílias com renda de até 1 salário mínimo, onde 44% apontam o tema como o gargalo central do país. Essa preocupação também é majoritária entre as pessoas com Ensino Fundamental (37%), entre os beneficiários do programa Bolsa Família (38%), entre os desocupados (35%) e na parcela inativa do mercado de trabalho (Não PEA, 35%).

Na faixa de renda de 1 a 2 salários mínimos, o índice permanece elevado em 35%. Em contrapartida, na classe alta (mais de 5 salários mínimos) e entre quem tem Ensino Superior, a preocupação com a saúde pública cai para 15% e 16%, respectivamente.

As mulheres cobram melhorias na saúde com intensidade quase duas vezes maior que os homens (35% contra 19%). O tema também ganha força à medida que a idade avança: é prioridade para 34% dos idosos com mais de 60 anos e 32% dos adultos de 41 a 59 anos, recuando para apenas 11% entre os jovens de 16 a 24 anos.

No recorte religioso, os evangélicos lideram a preocupação com a área (33%), seguidos pelos católicos (27%). Por condição do município, a cobrança se destaca nas Regiões Metropolitanas (31%), seguidas pelas Capitais (28%) e pelo Interior (26%).

“A saúde pública é a grande dor social da população que está na base da pirâmide socioeconômica”, analisa Marcelo Tokarski, CEO da Nexus. “Por serem quem mais utiliza e necessita da rede pública no cotidiano, as mulheres, os idosos e as famílias de menor renda sentem na pele a falta de médicos e a demora no atendimento. É uma pauta com apelo popular direto e com enorme potencial de influenciar a avaliação do governo nesses eleitorados”, conclui.

A Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados entrevistou, por telefone, 2.006 pessoas entre os dias 18 e 20 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.

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