Moradores do Nordeste, sem religião e baixa escolaridade creditam melhora na condição de vida à Lula, enquanto Sul, evangélicos e desocupados colocam piora na conta do governo federal
A percepção sobre a evolução das condições de vida das famílias brasileiras desde 2023 e o grau de responsabilidade atribuído ao governo federal expõe divisões regionais, religiosas e sociais no eleitorado do país. A nova rodada de pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda (14), mostra que, no cenário nacional, 34% dos brasileiros afirmam que sua vida melhorou por influência do governo Lula, 29% dizem que está igual e 26% relatam que piorou por ação da gestão federal. Outros 6% viram melhora por fatores alheios ao governo, 3% sentiram piora sem culpa do governo e 2% não souberam responder.
A análise dos recortes demográficos e socioeconômicos da pergunta traz algumas características:
O Nordeste é o principal segmento de percepção positiva, onde 44% afirmam que a vida melhorou por influência direta do governo e apenas 20% apontam piora. No extremo oposto, a Região Sul registra o cenário mais crítico: apenas 19% atribuem melhora ao governo, enquanto 39% responsabilizam a gestão federal pela piora nas suas condições de vida.
Entre os eleitores sem religião, o reconhecimento ao governo dispara para 48% (contra 14% de piora). Já no segmento evangélico, o saldo é abertamente negativo: 33% afirmam que a vida piorou por culpa do governo, enquanto apenas 26% reconhecem melhora promovida pela gestão. Entre os católicos, 36% creditam melhora ao governo e 24% veem piora.
Enquanto trabalhadores informais (38% melhorou por influência do governo vs. 28% piorou) e formais (33% vs. 30%) apresentam saldos equilibrados ou positivos, o segmento dos desocupados expressa forte ressentimento: 34% afirmam que a vida piorou por ação do governo e outros 16% dizem que piorou por outros motivos (totalizando 50% de percepção de degradação), com apenas 23% relatando melhora atribuída ao governo.
A aprovação da ação governamental é mais forte na base educacional, com 39% dos eleitores de Ensino Fundamental atribuindo melhoras ao governo (contra 20% de piora). No recorte por renda, a faixa de 1 a 2 salários mínimos é a que mais dá crédito à gestão (37%), enquanto na extrema pobreza (até 1 salário mínimo) predomina a sensação de estagnação: 36% afirmam que a vida “está igual”, 27% viram melhora por ação do governo e 23% relatam piora governamental.
As mulheres percebem um saldo mais favorável do governo (35% melhorou por influência do governo contra 22% piorou) do que os homens (33% vs. 30%). Entre a juventude (16 a 24 anos), chama a atenção o fato de 13% afirmarem que a vida melhorou, mas por fatores totalmente independentes do governo federal — o maior índice de autonomia em relação ao Estado entre todas as faixas etárias.
“A avaliação do impacto do governo na condição de vida do brasileiro reproduz o mapa da polarização política nacional”, analisa o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski. “O governo federal consegue colher frutos onde historicamente mantém mais apoiadores: no Nordeste e na base da pirâmide. Por outro lado, enfrenta uma barreira de insatisfação na região Sul, entre evangélicos e, sobretudo, na população desocupada, para quem a sensação de falta de oportunidade supera a narrativa de recuperação econômica”, conclui.
A Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados entrevistou, por telefone, 2.003 pessoas entre os dias 11 e 13 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.
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