Quase metade dos moradores do Norte/Centro-Oeste ignoram principal sintoma de câncer colorretal, aponta pesquisa A.C.Camargo/Nexus

estudos divulgados

Levantamento mostra que 43% dos que notaram sangue nas fezes não fizeram nada diante do sintoma; apenas 39% procuraram ajuda médica imediata

A pesquisa inédita “A saúde do brasileiro, hábitos de vida e o uso de tecnologia em diagnósticos médicos”, do A.C.Camargo Cancer Center, realizada pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, traz dados exclusivos sobre o câncer colorretal no Brasil. O levantamento mostra que embora o câncer de intestino já seja o segundo tumor com maior incidência no país, o desconhecimento e falta de ação na presença dos sintomas, ainda é grande.

A pesquisa, que ouviu 2 mil pessoas em todo o Brasil, aponta que no Norte/Centro-Oeste chega a 25% os moradores que tem um parente próximo (19%) ou um amigo (6%) que já teve câncer colorretal, o maior índice entre todas as regiões e acima da média brasileira de 21%. Mesmo assim, a região é a que menos busca ajuda médica ao identificar um dos principais sintomas da doença.

Entre os moradores do Norte/Centro-Oeste que notaram a presença de sangue nas fezes, apenas 39% procuraram ajuda médica imediata, o menor percentual do país e bem abaixo da média nacional, de 59%. No Sudeste, o número de moradores que procuram assistência imediatamente chega a 72%. No Sul são 53% e no Nordeste, 49%.

O dado mais preocupante, no entanto, é o de quem não fez nada diante do sintoma: Nessa região, 43% dos entrevistados afirmaram ter apenas esperado o sintoma passar, sem buscar avaliação médica, o maior índice disparado entre todas as regiões do país. No Nordeste, são 23% os que não tomaram atitude diante dos sintomas, 10% no Sudeste e 3% no Sul.

O tema ganha ainda mais relevância diante dos números recentes da doença no país. Em fevereiro deste ano, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimou 53.810 novos casos de câncer colorretal por ano no Brasil para o triênio 2026-2028, o que o torna o segundo tumor com maior incidência entre os brasileiros.

Reconhecimento da gravidade é alto, mas não se traduz em ação

A dificuldade em buscar ajuda no Norte/Centro-Oeste não vem da falta de percepção de risco. 76% dos entrevistados da região classificam como grave (32%) ou muito grave (44%) a presença de sangue nas fezes ou uma mudança no funcionamento intestinal que persista por mais de um mês. O percentual de moradores que consideram o quadro “muito grave” é o segundo maior índice entre as regiões, atrás apenas do Sudeste (46%).

O entendimento de que esses sintomas podem indicar câncer colorretal, no entanto, é o mais baixo do país: 62% dos moradores da região concordam com essa associação, contra 67% na média nacional e 70% no Sudeste, índice mais alto do país. A combinação da alta percepção de gravidade sem a clareza sobre o que o sintoma significa, ajuda a explicar por que tantos moradores da região preferem esperar ao invés de buscar diagnóstico.

Exame de rastreamento também é pouco conhecido na região
A pesquisa A.C.Camargo/Nexus mostra ainda que 68% dos entrevistados do Norte/Centro-Oeste nunca ouviram falar do exame “Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes” (PSO), recurso simples utilizado para identificar sinais da doença antes mesmo do aparecimento de sintomas evidentes. Ainda assim, 13% já realizaram o exame, o maior percentual entre todas as regiões, o que indica que, uma vez informada, a população da região não hesita em se testar.

Diante do crescimento da doença no país, especialistas do A.C.Camargo reforçam a importância de não ignorar sinais como sangramento, alteração no ritmo intestinal, dor abdominal persistente e perda de peso sem causa aparente, além da realização de exames preventivos a partir dos 45 anos ou antes, conforme orientação médica e histórico familiar.

O diagnóstico precoce do câncer colorretal está diretamente ligado a taxas de cura mais elevadas, o que reforça o papel de exames simples, como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia, na detecção da doença ainda em estágio inicial”, comenta o Dr. Samuel Aguiar, líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A.C.Camargo Cancer Center.

Metodologia

A Nexus, Pesquisa e Inteligência de Dados, entrevistou, face a face, 2.015 cidadãos com idade a partir de 16 anos, nas 27 Unidades da Federação (UFs). A amostra foi controlada a partir de quotas de sexo, idade, PEA, região e condição do município. A margem de erro no total da amostra é de 2 p.p., com intervalo de confiança de 95%. Após a coleta, foi aplicado um fator de ponderação para corrigir eventuais distorções em relação ao plano amostral; devido ao arredondamento, a soma dos percentuais pode variar de 99% a 101%. A etapa de campo ocorreu entre os dias 25 e 30 de junho de 2026. Estatístico responsável: Neale El-Dash, Conre 8656-A.

 

SOBRE O A.C.CAMARGO CANCER CENTER

Desde sua fundação, há mais de 70 anos, o A.C.Camargo tem como propósito cuidar das pessoas e ampliar o acesso ao tratamento do câncer no Brasil. Referência internacional em oncologia, o Cancer Center atua de forma integrada em prevenção, diagnóstico, tratamento, reabilitação e cuidados paliativos. Seu propósito — honrar a vida, desafiando as fronteiras da oncologia e promovendo educação e pesquisa para a sociedade — está no centro de todas as suas ações.

Com um modelo assistencial e resultados iguais ou superiores aos dos principais centros oncológicos do mundo, o A.C.Camargo integra assistência de excelência, geração de conhecimento científico e formação de profissionais especializados. Ao todo, são cinco mil profissionais, entre eles mais de 700 médicos de nosso corpo clínico fechado, dedicados e especializados no cuidado com pacientes oncológicos.

Pioneiro na implementação de conceitos como Gestão de Alto Desempenho e Saúde Baseada em Valor, o Cancer Center também possui uma robusta frente de Impacto Social de alcance nacional, em que atua em parceria com o CONASEMS para a formação de mais de 500 mil agentes comunitários de saúde em todo o Brasil. Também é responsável por conduzir o projeto Missão A.C.Camargo em parceria com municípios de todo o país, oferecendo suporte para as secretarias de saúde desenvolverem programas de rastreio e prevenção do câncer. Desde maio de 2025, é uma instituição de reconhecida excelência no PROADI-SUS.

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