Eleitores mais jovens apoiam, em sua maioria, o argumento de Flávio Bolsonaro enquanto os mais velhos concordam com o atual presidente Lula
O debate sobre a responsabilização pelas novas taxas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros divide a opinião dos eleitores de acordo com a idade, aponta a nova pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda (27). Enquanto no cenário nacional existe um empate, com 41% dos brasileiros concordando com a tese apresentada pelo presidente Lula e 41% apoiando o discurso de Flávio Bolsonaro, os dados segmentados por faixa etária expõem um comportamento contrastante.
A argumentação de Flávio Bolsonaro, que atribui à condução das relações diplomáticas do presidente Lula as sanções impostas, tem mais espaço entre os eleitores mais jovens: 47% dos brasileiros entre 16 e 24 anos apoiam a tese do senador, contra 42% que concordam com a posição de Lula. A faixa etária registra o menor índice de indecisão sobre o tema (NS/NR), com apenas 3%, enquanto “nenhum” soma 5% e “ambos” 3%.
Entre brasileiros de 25 a 40 anos o parlamentar oposicionista mantém a liderança numericamente, com 43% respaldando sua tese, contra 38% alinhados ao discurso governista que responsabiliza as novas tarifas às articulações da oposição nos EUA. Nesse grupo, a resposta “nenhum” alcança 6%, “ambos” representa 4% e 8% não responderam.
O segmento de brasileiros entre 41 e 59 anos reflete a divisão registrada no total da população, apontando 40% de concordância para o argumento do presidente Lula e 40% para a versão de Flávio Bolsonaro. As menções a “nenhum” somam 6%, “ambos” 3% e 11% não souberam responder.
O cenário se inverte entre os brasileiros com mais de 60 anos. 44% do eleitorado 60+ corrobora com a narrativa do presidente Lula, frente a 36% favoráveis aos argumentos de Flávio Bolsonaro. O estrato concentra a maior taxa de indefinição ou abstenção (NS/NR), atingindo 15%, enquanto “nenhum” pontua 4% e “ambos” 1%.
“O recorte por idade revela dinâmicas opostas nas pontas da pirâmide etária brasileira“, analisa Marcelo Tokarski, CEO da Nexus. “Enquanto o eleitorado mais jovem demonstra maior inclinação à tese da oposição, imputando a sobretaxa a divergências diplomáticas da atual gestão, os eleitores de 60 anos ou mais tendem a acolher a narrativa do Palácio do Planalto. A faixa intermediária de adultos maduros funciona como o ponto neutro da curva, espelhando a divisão perfeitamente equilibrada verificada no eleitorado geral.“
A Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados entrevistou, por telefone, 2.004 pessoas entre os dias 24 e 26 de julho de 2026. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01489/2026.
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