Diferença de intenção de votos entre os dois candidatos chega a mais de 20 pontos percentuais entre evangélicos no segundo turno; católicos, outras religiões e não religiosos preferem Lula
A série histórica da pesquisa BTG/Nexus aponta um consistente antagonismo entre as intenções de voto dos eleitores autodeclarados evangélicos e das demais religiões. Desde a primeira rodada, no dia 30 de março deste ano, católicos, outras religiões e brasileiros sem religião mostraram preferência por reeleger o atual presidente Lula em eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro. Por outro lado, o percentual de evangélicos que declararam intenção de votar no senador é 26 p.p maior do que os que votariam em Lula.
A última rodada, divulgada ontem (24) mostrou que no cenário de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, 59% dos eleitores evangélicos votariam no senador, contra 33% que declararam que reelegeriam Lula. A diferença de 26 p.p é grande, mas já foi maior: em março, eram 62% para Flávio contra 29% para Lula.
A diferença de votos também diminuiu entre católicos nos últimos cinco meses, mas dessa vez o resultado é favorável ao atual presidente Lula. Em março, eram 54% os que declararam que votariam em Lula em um eventual segundo turno, contra 41% que escolheriam Flávio. Na última rodada, a distância passou a ser de 48% para Lula e 43% para Flávio.
Os brasileiros que disseram não ter religião são o único segmento cuja distância entre os dois candidatos aumenta com o tempo: em março, 57% desses eleitores disseram que votariam em Lula no segundo turno e 35% escolheram o senador. A diferença percentual atingiu ontem seu pico, mostrando Lula com 63% das intenções de voto contra 24% de Flávio.
Já entre eleitores com outras religiões, os dois candidatos aparecem mais equilibrados: são 48% de intenção de votos para Lula, contra 42% para Flávio Bolsonaro, números parecidos com os resultados da primeira rodada, em março, quando o atual presidente tinha os mesmos 48% e Flávio, 39%.
“Os dados mostram um cenário de polarização religiosa na intenção de votos até aqui”, aponta o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski. “Mas a aproximação dos percentuais na série histórica, principalmente entre católicos e eleitores de outras religiões, mostra que essa diferença ainda pode oscilar até as eleições”, completa.
A Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados entrevistou, por telefone, 2.006 pessoas entre os dias 21 e 23 de agosto. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.
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