Sul é a região que menos reconhece a gravidade dos sintomas do câncer colorretal, aponta pesquisa A.C.Camargo/Nexus

estudos divulgados

Levantamento mostra que apenas 30% classificam sangue nas fezes ou alteração intestinal prolongada como “muito grave”, o menor índice entre todas as regiões do país; mesmo assim, a região tem o menor percentual de brasileiros que não agem diante do sintoma

A falta de informação sobre o câncer colorretal pode colocar os brasileiros em risco. É o que aponta a pesquisa inédita “A saúde do brasileiro, hábitos de vida e o uso de tecnologia em diagnósticos médicos”, do A.C.Camargo Cancer Center, realizado pela Nexus, Pesquisa e Inteligência de Dados, que identificou no Sul do país o menor reconhecimento da gravidade dos principais sintomas da doença entre todas as regiões do Brasil.

Segundo o levantamento, que ouviu 2 mil pessoas em todo o país, os moradores do Sul são os que menos associam sangue nas fezes e alterações intestinais prolongadas a um quadro grave: 71% classificam como “grave” ou “muito grave” um desses dois sintomas, o menor índice entre todas as regiões e abaixo da média nacional, de 80%. Dentro desse total, apenas 30% consideram o quadro “muito grave”, também o menor percentual do país, distante dos 46% registrados no Sudeste, 44% no Norte/Centro-Oeste e 42% no Nordeste.

Apesar de menos convictos sobre a gravidade dos sintomas, os moradores do Sul não deixam de se cuidar. É a região com o menor percentual de brasileiros que não agem diante do sinal de alerta: apenas 3% dos entrevistados que notaram sangue nas fezes afirmaram não ter tomado nenhuma atitude, o melhor índice do país nesse quesito. A contradição chama atenção: mesmo reconhecendo menos a gravidade do sintoma do que o restante do Brasil, o sulista é o que menos ignora o próprio corpo na prática.

O tema ganha ainda mais relevância diante dos números recentes da doença no país. Em fevereiro deste ano, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimou 53.810 novos casos de câncer colorretal por ano no Brasil para o triênio 2026-2028, o que o torna o segundo tumor com maior incidência entre os brasileiros.

Menor percepção de risco também aparece na desassociação de sintomas

A menor percepção de gravidade no Sul se repete quando o assunto é a relação entre os sintomas e a doença. Apenas 64% dos entrevistados da região concordam que sangue nas fezes ou alterações intestinais prolongadas podem indicar câncer de intestino, o segundo menor índice entre as regiões, à frente apenas do Norte/Centro-Oeste (62%) e abaixo da média nacional, de 67%. Somente 23% concordam “muito” com essa associação.

O padrão chama atenção por não estar relacionado à falta de contato com a doença: 22% dos moradores do Sul têm um parente muito próximo (17%) ou um amigo ou conhecido (5%) que já teve câncer colorretal, mais do que a média nacional de 21%. Ainda assim, a região é a que menos notou o sintoma na prática: apenas 4% dos entrevistados do Sul afirmam já ter percebido sangue nas fezes. No Nordeste e no Sudeste esse índice é de 10%, e no Norte/Centro-Oeste, de 8%.

Metade busca ajuda imediata quando o sintoma aparece

Entre os moradores do Sul que notaram a presença de sangue nas fezes, metade (53%) procurou um médico, posto de saúde ou hospital imediatamente. O número é consideravelmente abaixo do desempenho do Sudeste (72%), mas acima da média do Nordeste (49%) e do Norte/Centro-Oeste (39%). Ainda assim, 15% recorreram a remédios caseiros ou mudanças na alimentação antes de buscar avaliação médica.

Diante do crescimento da doença no país, especialistas do A.C.Camargo reforçam a importância de não ignorar sinais como sangramento, alteração no ritmo intestinal, dor abdominal persistente e perda de peso sem causa aparente, além da realização de exames preventivos a partir dos 45 anos ou antes, conforme orientação médica e histórico familiar.

“O diagnóstico precoce do câncer colorretal está diretamente ligado a taxas de cura mais elevadas, o que reforça o papel de exames simples, como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia, na detecção da doença ainda em estágio inicial”, comenta o Dr. Samuel Aguiar, líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A.C.Camargo Cancer Center.

Metodologia

A Nexus, Pesquisa e Inteligência de Dados, entrevistou, face a face, 2.015 cidadãos com idade a partir de 16 anos, nas 27 Unidades da Federação (UFs). A amostra foi controlada a partir de quotas de sexo, idade, PEA, região e condição do município. A margem de erro no total da amostra é de 2 p.p., com intervalo de confiança de 95%. Após a coleta, foi aplicado um fator de ponderação para corrigir eventuais distorções em relação ao plano amostral; devido ao arredondamento, a soma dos percentuais pode variar de 99% a 101%. A etapa de campo ocorreu entre os dias 25 e 30 de junho de 2026. Estatístico responsável: Neale El-Dash, Conre 8656-A.

SOBRE O A.C.CAMARGO CANCER CENTER

Desde sua fundação, há mais de 70 anos, o A.C.Camargo tem como propósito cuidar das pessoas e ampliar o acesso ao tratamento do câncer no Brasil. Referência internacional em oncologia, o Cancer Center atua de forma integrada em prevenção, diagnóstico, tratamento, reabilitação e cuidados paliativos. Seu propósito — honrar a vida, desafiando as fronteiras da oncologia e promovendo educação e pesquisa para a sociedade — está no centro de todas as suas ações.

Com um modelo assistencial e resultados iguais ou superiores aos dos principais centros oncológicos do mundo, o A.C.Camargo integra assistência de excelência, geração de conhecimento científico e formação de profissionais especializados. Ao todo, são cinco mil profissionais, entre eles mais de 700 médicos de nosso corpo clínico fechado, dedicados e especializados no cuidado com pacientes oncológicos.

Pioneiro na implementação de conceitos como Gestão de Alto Desempenho e Saúde Baseada em Valor, o Cancer Center também possui uma robusta frente de Impacto Social de alcance nacional, em que atua em parceria com o CONASEMS para a formação de mais de 500 mil agentes comunitários de saúde em todo o Brasil. Também é responsável por conduzir o projeto Missão A.C.Camargo em parceria com municípios de todo o país, oferecendo suporte para as secretarias de saúde desenvolverem programas de rastreio e prevenção do câncer. Desde maio de 2025, é uma instituição de reconhecida excelência no PROADI-SUS.

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