Temor por “Super El Niño” faz buscas explodirem e eleva cobrança sobre autoridades, aponta levantamento da Nexus

estudos divulgados
Cobranças por providências representam 23% das menções nas redes sociais e concentram maior engajamento do debate digital; estados do Sul lideram interesse no fenômeno no Google

Levantamento inédito da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados aponta que a iminente consolidação do fenômeno ”Super El Niño” acendeu o sinal de alerta na população brasileira, gerando uma onda de preocupação e cobranças às autoridades públicas na internet.
No Google Brasil, entre março e maio deste ano, a média mensal de pesquisas sobre o assunto foi 903% maior que o trimestre anterior – dezembro a fevereiro. Nas redes sociais, um levantamento amostral da Nexus com 27,4 mil menções em português ao fenômeno El Niño mostrou que o engajamento destes discursos superou 4,9 milhões de interações nos últimos três meses.
No Google Brasil, só no mês passado, a média diária de buscas pelo termo “El Niño” cresceu 252% em comparação a abril, com picos de procura entre os dias 17 e 26 de maio. A explosão de interesse pelo tema no Google, principalmente a partir da segunda quinzena de maio, foi impulsionada pelo temor de novos eventos climáticos extremos.

“O aumento expressivo nas buscas sobre o El Niño mostra que as pessoas querem se antecipar ao fenômeno. Elas olham para o que aconteceu antes, resgatam a memória de eventos extremos e vão à internet buscar como se proteger do que está por vir”, observa o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski. “Entender esse comportamento permite que gestores públicos e privados possam agir antes que a próxima crise bata à porta.”

O interesse pelo El Niño foi alavancado por informações de relatórios meteorológicos do Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos (CPC/NOAA), que apontam 82% de chance de consolidação do fenômeno entre maio e julho. Segundo a agência científica, há 94% de probabilidade de que ele continue até o inverno do hemisfério norte, entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027.

A preocupação climática também movimentou as redes sociais. Levantamento amostral da Nexus coletou 27,4 mil menções em português ao fenômeno El Niño — entre posts originais, comentários e compartilhamentos — no X, no Facebook e no Instagram. O engajamento destes discursos superou 4,9 milhões de interações. A amostra abrange o período entre 1º de março e 4 de junho deste ano

Estados da região Sul são os mais interessados no assunto
Santa Catarina (com 100 pontos de interesse), Rio Grande do Sul (85) e Paraná (49) lideram as buscas sobre o El Niño no Google Brasil. A predominância de estados do Sul nas primeiras colocações demonstra a maior preocupação regional com possíveis impactos climáticos. Além de procurarem definições básicas sobre o fenômeno, usuários demonstram interesse por previsões locais e contextos históricos de anos anteriores, principalmente o desastre climático ocorrido em 1983.

Os estados de Rondônia (37), Espírito Santo (35), Mato Grosso do Sul (34), Rio de Janeiro (33), Roraima (33), Mato Grosso (32), Acre (32) e São Paulo (31) aparecem em seguida. Na lanterna, figuram Rio Grande  do Norte (22), Piauí (23), Alagoas (23), Tocantins (23) e Sergipe (23).

O mapa abaixo mostra a incidência de pesquisas sobre o El Niño por estado no trimestre terminado em 2 de junho no Google Brasil. Quanto mais escuro, mais ativa as buscas.

Consultas vão além do básico e focam em contexto histórico e regional
Além das buscas por “El Niño” (ou “El nino”), que refletem o interesse de entendimento do fenômeno climático, as pesquisas por volume mostram a preocupação dos brasileiros com os alertas para o ano vigente (“2026 El nino”) e buscam comparações com outros fenômenos (“la nina”).

Já a bolha da expressões em ascensão nas buscas do Google Brasil revela interesse mais aprofundado por previsões e impactos regionais imediatos. O Sul se destaca, com pesquisas como “el nino santa catarina”, “el nino 2026 parana” e “el nino 2026 rio grande do sul”. Foi registrado também um salto no interesse por alertas oficiais do “inmet” e termos alarmantes, como “super el nino” e “ciclone el nino”, e o contexto histórico do fenômeno, resgatando anos como “1870”, “1877” e “1983”.

El Niño gera 4,9 milhões de interações nas redes sociais em três meses
No X, Facebook e Instagram as 27,4 mil menções em português ao fenômeno El Niño coletadas pela Nexus — entre posts originais, comentários e compartilhamentos — geraram engajamento superior a 4,9 milhões de interações. A amostra abrange o período entre 1º de março e 4 de junho deste ano.

Quase um quarto (23%) das menções cobram ação de autoridades governamentais. Com grande ressonância, esse tipo de post foi responsável por 34% de todo o engajamento registrado no período. Em maio, o volume de menções ao fenômeno registrou uma alta de 485% (quase 6 vezes) em relação a abril, enquanto o engajamento sobre o tema cresceu 224% — o que representa mais do que o triplo de interações na comparação com o mês anterior.

O X lidera em volume de postagens, com 72% do total, seguido por Facebook (18%) e Instagram (10%). O pico de menções foi registrado em 22 de maio, quando os influenciadores de médio alcance @ZAMENZA e @ajuliearaujo atingiram mais de 2 mil retuítes cada ao alertarem sobre a previsão da chegada do “Super El Niño“.

Já o Instagram concentra a esmagadora maioria das interações sobre o fenômeno (81%), seguido por Facebook (15%) e X (4%). Por lá, o pico de conversas foi registrado em 18 de maio, quando o pediatra e mega influenciador Daniel Becker alertou sobre o assunto e pediu para que a sociedade cobre providências e preparo das prefeituras e governos estaduais.

Principais discursos: divisão de narrativas entre X, Facebook e Instagram

No X, a conversa é fragmentada, com altíssimo volume de retweets de alertas virais, especialmente do post de @ajuliearaujo e do relato de @leandrochaves3 sobre o super El Niño de 1876. O tom predominante na rede é de ansiedade e senso de desamparo popular. Usuários expressam medo de calor extremo, enchentes e secas.

 

Há também uma narrativa de teor político mais acirrado, centrada na atribuição de culpa às autoridades governamentais, passando por todos os três Poderes. O X é a rede que concentra a maior densidade de críticas à gestão pública.

 

No Facebook, alertas do meteorologista Piter Scheuer, amplificados especialmente pelo Jornal Razão, estão entre os discursos mais recorrentes. Há cobranças de ação das autoridades e comparações entre o El Niño de 2026 e as catástrofes de 1983. A cobertura institucional e preventiva também é forte na rede, com informações sobre decretos de alerta climático assinados por governadores, ações da Defesa Civil e reuniões de coordenação federal. Posts com tom mais moderado e informativo, com análises de climatologistas, são recorrentes.

Já no Instagram, os discursos dominantes giram em torno do alerta de catástrofe climática iminente, destacando que o “Super El Niño” de 2026 pode ser o mais intenso dos últimos 140 a 150 anos. Os posts de maior alcance, como dos perfis @pediatriaintegralbr, @choquei, @eduardomoreirareal e @climatempo, amplificam projeções de organizações climáticas (NOAA e OMM), traduzindo dados técnicos.

Outra narrativa recorrente no Instagram trata da previsão de impactos regionais, sobretudo no Sul do Brasil, evocando a memória das enchentes de 2024 no RS como referência de tragédia que poderia se repetir. Há também mobilização em torno de cobranças por ações preventivas.

“O levantamento mostra que o Instagram atua como o megafone visual e emocional desse alerta, concentrando mais de 80% do engajamento. Já o X e o Facebook viraram verdadeiras praças públicas, onde o medo e a ansiedade da população se transformam em cobrança política e debate institucional”, afirma Tokarski.

METODOLOGIA

O levantamento foi realizado pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados a partir do monitoramento do ambiente digital brasileiro entre 1º de março e 4 de junho de 2026. A pesquisa combinou duas frentes principais de coleta de dados: o comportamento de busca dos usuários no Google e o debate espontâneo nas redes sociais X, Facebook e Instagram. Na frente de buscas, a Nexus analisou o crescimento percentual do interesse pelo termo “El Niño” e mapeou os estados com maior volume de procura. Já nas redes sociais foram usadas ferramentas de social listening para coletar os dados.

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